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Escrito por Benett às 21h17
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300 pouns of joy >>> https://www.youtube.com/watch?v=fJ2UadHc_Qg

01

Kalinoski, 13, 1987

 Oi. Estou escrevendo de uma mesa de piquenique abandonada em um bosque de uma vila no meio do nada e olhando o ônibus levar de volta para a escola a cambada de patifes que estuda comigo. Eu fui “abandonado” aqui por livre e espontânea vontade minha, e quando derem pela falta de seu aluno mais circunspecto é certo vão ligar para você e provavelmente para os bombeiros e a polícia. Não esquente, eu estarei bem. Ser abandonado é uma coisa que meio que se repete em minha vida e acho que li sobre isso em algum desses livros de psicologia empoeirados que temos no antigo quarto da vó. A repetição que leva ao ato ou a passagem para o ato, sei lá.

Por falar em livros gostaria de indicar dois. Um para o papai e outro para você, mas não sei se papai é capaz de ler, aquela testa levemente estreita me deixa com sérias dúvidas, sinceramente. Se ele não compreende o olhar de uma criança ou a realidade em que vive é bem possível que não consiga juntar as palavras com as imagens mentais que um livro proporciona. De qualquer forma, eu gostaria muito que ele lesse A Caminhada, de Cormac McCarthy(*). É um livro fácil, eu diria óbvio, até, porém com uma mensagem poderosa que poderia fazer verter alguma lágrima daqueles olhos que sempre evitam olhar para outros olhos. Bem, eu gostaria que ele lesse se nós ao menos soubessemos por onde ele anda. Faz meses que não temos notícias dele. Deve ter ter sido abandonado pelo ônibus depois de um piquenique com os colegas da firma onde ele trabalha.

E quanto ao outro livro, eu gostaria de indicar para você. É o Life in Hell, do Matt Groening. Eu sei que você prefere Pafúncio e Marocas ou Zé Boné (“aquele bêbado que bate na mulher”) mas acredite em mim, tem mais conteúdo nessas tirinhas sobre coelhos do que em toda a coleção de Riders Digest que temos no velho quarto da vó. E o que é melhor, com aquele senso de humor que eu e meu irmão aprendemos a gostar lendo as Respostas Cretinas para Perguntas Imbecis do Al Jaffee. Não, não é seu tipo de humor, mas acredito que um esforcinho seria bem-vindo para compensar o dinheiro da luz acesa do quarto.

Bem, eu não tenho mais o que escrever. Não tenho mais folhas e também minha paciência foi para mais ou menos onde fica VV Cephei. Bem, não atenda o telefone. Hoje está um dia bonito demais para atender telefones. Acho que é isso. Agora vou subir na mesa, me pendurar nessa corda e pular.

Z.

F   I   M 

(*) – Esse livro só foi lançado em 2006, e essa carta é de 1987. Mas quem dá bola para verossimilhanças nesse blog?

P.S. – Esse conto é a minha versão para a cartinha de Seymour Glass, em Hapworth, 16, 1924.

02




Escrito por Benett às 09h45
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trrrrraaaamp

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Escrito por Benett às 12h28
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