Seize the day

Quase na mão

A e B - dois velhos personagens de volta.

Mais uma ilustra - uma colagem dessa vez - para a coluna do Cristovão Tezza

02

e uma tira do Amok, para não perder o embalo

 



Escrito por Benett às 20h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O Livro Proibido

Capa do livro Amok - Cabeça, Tronco e Membros - dia 21 de agosto. As 19h00. Na Itiban

O autor do livro acima

A Vida Não Vale Nada

Minha mãe passou a noite inteira da véspera do dia dos pais transando com o namorado dela. Ela achou que eu não ia ouvir porque estava jogando videogame no quarto, mas a cama dela faz tanto barulho que nem mesmo se eu deixassse o volume no último eu conseguiria encobrir aquele "nheco-nheco" insuportável. Ela e meu pai estão separados há dois anos e há muito mais tempo ela não dá a mínima para ele. Tratava-o como merda e não se importava em arranjar amantes e fazê-lo sangrar de ciúmes. Minha mãe não tem 40 anos e mesmo assim é hiperativa. Quando não está arrumando a casa de maneira frenética e obsessiva, está gritando comigo por causa de migalhas de pão em cima da mesa. Ou então está no quarto com alguém fazendo "nheco-nheco" na cama. Ontem, estava com o namorado e cada estocada que ele dava em sua vagina era como uma adaga penetrando no meu peito. As vezes acho que ela não dá a mínima para mim também, afinal, o namorado dela é meu melhor amigo e tem apenas dois anos a mais do que eu. Eles se conheceram aqui em casa, quando ele vinha depois da escola para jogarmos videogame. Foi numa noite em que ela chegou meio bêbada. Tinha um resto de vinho na geladeira. Ela ofereceu para ele e ficaram conversando e dando risada e aí eu fiquei como a única criança no recinto, que não bebia, que jogava videogame sentado no chão, que era virgem. Aí então eles foram para o quarto enquanto eu jogava e voltaram depois de quase meia-hora. Nem ela, nem meu amigo e nem eu tocamos no assunto. A ideia de que agora eu teria que chamá-lo de "pai" soa engraçada, tanto quanto o fato de que ele agora vai ter que me dar mesada, mas é o típico caso de rir para não chorar. É mais ou menos assim quando a minha mãe interfere na minha vida. Agora não reconheço mais o meu melhor amigo como melhor amigo e também não o reconheço como padrasto ou pai o que quer que seja. Ela simplesmente bagunçou tudo. Basicamente foi graças a meu melhor amigo que eu não enlouqueci quando meus pais se separaram. Mas agora minha mãe se apoderou de nossa amizade e transformou tudo numa confusão tão grande que não sei nem ao certo o que estou sentindo. Será que, por algum instante, ela não se perguntou se isso era a coisa certa a se fazer? Ela não tem ideia, mas ao foder com meu amigo ela está fodendo comigo e fodendo com o meu pai. A vida não vale nada mesmo. (continua)



Escrito por Benett às 16h56
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Dia 21/08/2013

Cards do Amok - para quem comprar o livro no lançamento e/ou via site da Mórula

01



Escrito por Benett às 20h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


O Escritor

Ideia para um filme: um pianista erudito e narcisista vê o filho chegar à adolescência com talento e ambição proporcionais às suas. Com medo da máxima freudiana de que todo o filho quer matar o pai, o pianista muda de sexo e torna-se a "mãe" do garoto. Censura, 18 anos.

O Escritor

Depois de conferir meus três e-mails, dois blogs, conta no Twitter, Google+ e Facebook (nenhum e-mail além de spams, nenhum curtir, nenhum compartilhar, nenhum retweet e nenhum comentário em meus blogs) em busca de um fiapo de atenção que empurrasse meu astral para além do nível raso do desespero total, resolvi não deixar a a sombra da depressão irromper sobre meu velho apartamento de 45 metros quadrados na Boca Maldita repleto de pombos nas janelas e começar a escrever, enfim, meu tão adiado Primeiro Romance.

Sento na cadeira vermelha de rodinhas e ergo um pouco mais o assento. Ficar lá embaixo pode colaborar com a depressão. Mas se ficar muito alto, pode doer o pescoço. O encosto, o problema é sempre o encosto. Entre a depressão e a dor de pescoço, fico com a primeira, que não é física, pelo menos. Mas eu preciso antes tirar os envelopes rasgados de contas de telefone e luz de cima da mesa. Preciso guardar o grampeador no armário, jogar fora essas embalagens vazias de chocolate e refrigerante, responsáveis pelo sobrepeso que já passa dos limites -um homem com tetas não sente amor próprio-  jogar esse monte de canetas na gaveta e, sim, aproveitar para tirar da vista o pijama que joguei na gaveteira ao lado.

A gaveteira também está um inferno e minha neurose agradecerá se eu recolocar os livros na estante, empilhar os jornais direito e esconder essas revistas em quadrinhos para que minha persona “escritor da nova geração” não as perceba ali um adolescente velho e sedentário. Tem muita poeira na mesa e uso o lenço de papel – tem vários usados amarrotados que bateram no aro. Jogo todos eles no lixo, acumulados da semana toda. Uso os lenços amassados para tirar o grosso da poeira dos esqueletos de projetos que habitam meu apartamento.

Também não seria justo com o Primeiro Romance escrevê-lo só de cuecas, então visto minha melhor camisa, minha calça que serve e os sapatos, sem meia, que sinto calor nos pés. A cama de solteiro desarrumada também embaralha minhas ideias e todas essas camisetas sujas no chão têm que sair imediatamente da minha visão. Cuecas e meias sujas reviradas pelo chão parecem uma extensão da minha mente. Caos não combina com a disciplina rígida e regrada do ato de escrever o Primeiro Romance. Aproveito a oportunidade para tirar o lençol com manchas da masturbação noturna sistemática e levá-lo junto com as outras roupas para a lavanderia. Arrumo a cama usando um cobertor como lençol.

O pior lugar em que eu poderia entrar: a lavanderia. Um aterro do lixo acumulado das noites de solidão, gula e sedentarismo. O depósito onde toda a bagunça é transferida. Angústia em forma de caixas de pizza no chão, latinhas de cerveja vazia dentro e fora do lixo, pacotes de salgadinhos com embalagens de sanduíches dentro, chinelos empilhados, sacolas vazias de supermercado pelo chão, roupas e mais roupas abarrotadas em cima da máquina e o varal com as peças que não recolhi na semana passada. Recolho as roupas, uso as sacolas para embalar o lixo, enfio as roupas abarrotadas na máquina, dou água para as plantas, coloco os chinelos e sapatos no armário, varro a comida do chão, consumo a vitória descendo para levar as sacolas cheias, como se jogasse os cadáveres do inimigo na vala comum do lixo do prédio. Os pombos nas janelas me olham incrédulos. Próximo passo, a pia da cozinha.

Guardo a louça que lavei há uma semana, tiro a mesa com o café da manhã de anteontem, guardo a comida que não azedou na geladeira, retiro a comida que azedou da geladeira, descongelo o freezer, tomo o último iogurte, o resto da coca-cola, jogo fora o leite que apodreceu o ar e, o queijo e presunto, que agora têm uma placa em neon me dizendo “você vai ficar doente se enfiar isso no seu estômago”, já são parte da história da minha miséria pessoal.

Ah, a louça. Mas antes o fogão. Panelas com restos de comida, restos de gordura, palitos riscados, uma forma com água para desgrudar os hambúrguers que assei, tudo vai sendo cuidadosamente removido para dar lugar novamente a algo salubre que não me deixe doente – do estômago ou da alma.

Por fim, a louça. Quatro pratos, seis píres, onze copos, cinco garfos, seis facas, seis colheres de todos os tamanhos, nove tupperwares, dezesseis copos, cinco canecas, três xícaras, duas tigelas, duas jarras, duas vasilhas, uma frigideira, uma caçarola, duas formas, quatro panelas de todos os tamanhos, três tampas de panelas, duas garrafinhas de água, um cortador de pizza, duas travessas, dois suportes de panela e um ralador. Ralo da pia desentupido e pano úmido para tirar a espuma e pronto, tenho uma cozinha nova, sorrindo de felicidade.

O sofá da sala. Meu Deus, ele não pode escapar incólume. Se a sala for vencida, então o exército do derrotismo e da inércia não se recuperará nunca mais, abalado que foi na maior de todas as batalhas. O pombo branco na janela olha para cima e para baixo bem rápido. Mais restos e farelos da comida que preenche o vazio de gente nessa vida arrastada. Roupas, revistas, poeira, mais copos e pratos que não vi, mais lixo que não vi, mais chinelo, mais jornais, mais envelopes de contas rasgados, mais livros para empilhar, o trabalho tem que ser feito tudo de novo, mas estou determinado a não desistir, não me entregar para o vulto da depressão, que me observa pelo vão da porta do banheiro. O banheiro... eu sabia que ainda tinha o banheiro!!!

Mais roupas, mais toalhas, cesto de lixo transbordando, pote de condicionador vazio na janelinha do, tubos de pasta de dente jogados no chão,  duas cuecas penduradas na torneira e pêlos e mais pêlos de todos os formatos e tamanhos valsam para todos os lados enquanto me mexo tentando resolver o banheiro. Não é possível escrever um livro enquanto seu banheiro agoniza ao seu lado. O tiro de misericórdia na inércia e nos soldados da depressão.

Riiing! O telefone, enfim lembraram da minha existência. Seria algum jornal me pedindo um artigo sobre o novo do Philip Roth? Seria uma editora encomendando um livro de crônicas? Seria aquela garota da livraria que eu pedi que me ligasse?

Alô? Oi, mãe? O quê? O que aconteceu? Você tá chorando? Sério? O tio Germano? Na próstata? Ai... não, não vai ser nada. Ele é forte. Ele supera. É, eu sei. Calma. Não adianta entrar em pânico. É pior. Calma, vai dar tudo certo. Vai ficar bem. A tia Matilde, internada? Ah, mas ela tem que ser forte. Calma. Não adianta entrar em pânico. Tem que ter fé, ele é um homem forte. Sempre foi. Eu sei que dois irmãos dele morreram disso, mas é que não descobriram a tempo. Já tá avançado? É, é uma praga. É a peste. Ah, mãe, não adianta... sim, eu sei. Claro. Tem que ter fé. Lógico, o importante é ficar do lado deles... mãe, mãe... calma. Eu sei que é triste, mas vai ficar tudo bem. No domingo eu vou praí, daí eu visito ele. O Paulinho deve estar arrasado. Tá? Fica bem. Eu aviso o Valtinho. Sim, sim. Eu te ligo de noite. Sim, amanhã eu já vou na rodoviária comprar a passagem. Mãe, calma. Eu sei que você é sozinha, mas amanhã mesmo eu vou comprar a passagem, daí a gente se fala. Sim, eu ligo. Ligo de noite. Claro, eu aviso o Valtinho. Tá bom. Tá bom. Tá. Sei. Boa noite. Beijo, tchau. Abro a janela e espanto os pombos.

Longo suspiro. Um copo de chocolate e um pacote daquelas rosquinhas me devolvem ao ringue, não inteiro, porque ninguém sobrevive a uma ligação da mãe dando a notícia de doença na família, mas com pernas suficientes para levar a luta até o último assalto. Sento no computador. A cadeira está muito baixa. Ergo o encosto. Sinto uma fisgada na nuca. Desço o encosto. O pombo branco me olha com a cabeça inclinada. Hora de escrever o Primeiro Romance. Mas já que estou aqui, vou dar uma olhada nos e-mails, nos blogs, no Twitter, no Google+ e no Facebook.

Nenhum e-mail além de spams, nenhum curtir, nenhum compartilhar, nenhum retweet e nenhum comentário em meus blogs.

FIM



Escrito por Benett às 21h34
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Quase pronto

Foto das provas do livro que a editora mandou

01

02



Escrito por Benett às 16h53
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


Origens

Lembrei, lembrei de onde surgiu o Amok!!! Claro, ele surgiu da leitura do livro Como a Mente Funciona, de Steven Pinker! O texto abaixo que explica a origem do Amok, encontrei num post perdido de 2009 do blog Salmonelas . E com as duas prováveis primeiras tiras do personagem. É a melhor cápsula do tempo que eu poderia ter encontrado:


Um novo personagem inspirado em algumas idéias aterradores que certas pessoas andam tendo por aí. Amok, segundo Steven Pinker, autor do incrível livro Como a Mente Funciona (Cia das Letras, 666 págs, 45 reais) "é uma palavra malaia que designa as orgias homicidas ocasionalmente empreendidas por homens solitários da Indochina que sofreram uma perda de amor, de dinheiro ou da honra". Trata-se de uma síndrome, chamada Síndrome de Amoque, mais ou menos o que deu no Michael Douglas naquele filme Um Dia de Fúria. Com a diferença que, o ataque de uma pessoa com Síndrome de Amoque, "é desencadeado não por um estímulo, não por um tumor, não por um jorro aleatório de substâncias químicas no cérebro, mas por uma idéia". Horripilante, não?

02




Escrito por Benett às 13h13
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
HISTÓRICO
ARQUIVO
Charges do Benett
(03/2008 a 11/2010)




Votação
Dê uma nota para meu blog

Outros sites
 Meu TWITTER
 Meu Instragram
 Amok Comics
 Cartunista Benett
 Salmonelas
 Charges da Folha
 Meu Flickr
 Facebook Benett - Fanpage